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Morador de Recife tenta provar que Justiça de MS prendeu homem errado

Aos 50 e hipertenso, foi preso na pandemia, mas tudo indica que polícia de Olinda cometeu erro ao cumprir decisão judicial de MS

30/07/2020 09h06
Por: Deyvid Santos

RECIFE (PE) – Alexandre Dias Bandeira, 51, está preso há dois meses no Cotel (Centro de Observação e Triagem Everardo Luna), na grande Recife (PE), depois que a Polícia Civil do Estado conseguiu cumprir ordem de captura emitida pela Justiça de Mato Grosso do Sul, 19 anos depois de condenação por tráfico em Bataguassu (MS).

Não é só o lapso de dezenove anos entre uma sentença e o cumprimento dela, na prática, que chamam a atenção neste caso. Polícia de Pernambuco e Judiciário de Mato Grosso do Sul podem ter cometido injustiça ao prender o homem errado.

Hipertenso, Alexandre está longe da esposa que não pode ver por determinação estadual de evitar explosão de casos de covid-19 nos complexos penitenciários de Pernambuco. Ele, que tem comprovação de que estava trabalhando em outro Estado quando o crime ocorreu em Mato Grosso do Sul, só ficou sabendo do processo de um estado tão longe em 2011, quando pediu para regularizar seu título de eleitor.

A trajetória

A história é contada pelo Campo Grande News em parceria com o site Marco Zero, que investigou a história. Tudo começa em 23 de maio de 2001, no km 97 da BR-267 em Mato Grosso do Sul, quando dois policiais rodoviários federais deram ordem de parada a um Santana Quantum branco, com placas de Foz do Iguaçu (PR).

Dentro, estava homem que transportava, escondidos no estofado, quase 80 quilos de maconha que disse ter trazido de Ponta Porã, na fronteira com Paraguai. Levaria até São Paulo.

Apresentou documento cujo nome – assim como todas as informações presentes em um RG – era Alexandre Dias Bandeira. Mas, como, então, não se trata da mesma pessoa?

Roubo de documentos

Conforme aponta o site de Pernambuco, que visitou o local onde vive Alexandre, conversou com a esposa e acompanha o caso, a foto que consta no RG anexado ao processo judicial sequer é o mesmo rosto de Alexandre.

Alexandre conta que foi roubado em 2000 e com a carteira foram levados também os documentos. O TRE-PE (Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco) passou dois anos tentando descobrir porque o título do eleitor havia sido cancelado e procurou nos Estados que pareciam óbvios: Rio de Janeiro, por exemplo, onde Alexandre nasceu e de onde se mudou, para Pernambuco, ainda adolescente.

“Não sei mais o que fazer para provar a minha inocência porque nunca saí do estado de Pernambuco depois que vim pra cá na adolescência. Nunca fiz nada que desabonasse a minha conduta”, escreveu ele para a Justiça Eleitoral.

Só em 2013, o TRE e Alexandre descobriram que o problema era processo por tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul. Conforme aponta o site Marco Zero, outros obstáculos marcam a confusão que coloca em risco a vida do trabalhador na prisão. Não há fotos do homem preso pela PRF em 2001 anexadas ao processo, apenas fotografias do veículo e da droga apreendida.

Quando foi roubado em 2000, Alexandre registrou boletim de ocorrência na delegacia de Varadouro (PE), mas a unidade, que só passou a digitalizar todos os boletins em 2004, perdeu o documento. Conforem o site de Pernambuco, em 2010, o arquivo geral onde estava guardada a ocorrência e outros boletins foi incendiado.

“Por lei, as delegacias mantêm os documentos em papel guardados por 5 anos e depois os envia para o arquivo geral da Secretaria de Defesa Social. Em 2010, houve um incêndio no prédio onde ficava o arquivo geral e todo o material foi perdido”, cita.

E o foragido?

O homem preso por atuar como “mula” para o tráfico de drogas fugiu da Cadeia Pública de Bataguassu cinco meses depois de ser flagrado, junto com outros 12 detentos. Desde então, nunca foi capturado.

Informações do site Campo Grande News

Do lado esquerdo, documento de Alexandre, preso no dia 27 de maio e ao lado, RG que estava com homem preso em 2001 (Imagem: Marco Zero)

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