Distante da mãe desde que deixou sua aldeia em Aquidauana (MS). Antônio Costa, mudou-se para muitas cidades, conheceu sua esposa em Castilho (MS) e fugiu com a amada para Três Lagoas (MS), onde constituiu sua família. Hoje, graças às filhas e por uma grata coincidência, ele pôde encontrar as irmãs e soube que sua mãe está viva e à sua espera
02/09/2019 07h32
Por: Rodrigo de Freitas com informações de Mirela Coelho e Julia Vasquez*
TRÊS LAGOAS (MS) – Todo filho um dia vive a escolha de alçar vôo rumo à própria independência, aos seus sonhos, em busca de novas perspectivas. Como filho, o elo entre um pai nunca se desfaz, no entanto, na história de seu Antônio esse elo quase se perdeu.
Hoje com 67 anos, Antônio Costa vivia na aldeia Colônia Nova em Aquidauana (MS) ao lado da mãe e de seus irmãos, quando o momento de buscar um trabalho o fez deixar os braços de sua mãe Mercedes Henrique.
Ao longo dos anos, muita coisa mudou em sua vida. Em busca de uma oportunidade de trabalho, o homem passou por muitas cidades e em uma delas, Castilho (SP), conheceu a sua amada, com quem fugiu para Três Lagoas (MS), constituindo uma linda família com duas filhas, Leila e Juliana.
Pouco mais de 40 anos desde a sua infância na aldeia de sua mãe, Antônio não tinha mais notícias das irmãs e nem sabia se Mercedes, sua mãe, ainda estava viva. Nisso, partiu de sua filha, Juliana, a iniciativa de buscar pela família de seu pai, pessoas que ela nunca conheceu.
Uma incrível coincidência que marcou o reencontro
Através do Facebook, Juliana encontrou o perfil de um radialista da aldeia vizinha. Em conversas pela rede social, ao lado de seu pai, a mulher informou o nome de seus familiares da aldeia Colônia Nova de Aquidauana e por coincidência o homem não só os conhecia como era casado com uma prima de seu Antônio, dessa maneira, ele soube informar o paradeiro dos familiares de Antônio e fez uma grata revelação: Mercedes, sua mãe e avó de suas duas filhas estava viva e a sua espera.
Em meio à felicidade e ao breve receio de que tudo fosse mentira, o pai e suas filhas confirmaram as informações dadas pelo homem.
Vivendo uma história quase de ficção, Antônio enfim estabeleceu contato com as irmãs através das filhas e pôde ver fotografias da mãe que hoje tem por volta de 90 anos.
Enilda, irmã de Antônio fala da emoção de encontrar o irmão
Emocionada, Enilda Botelho, uma das filhas de Mercedes, contou à sobrinha que tinha 17 anos quando viu o irmão deixar a casa. Ela confessou ainda que ficou muito feliz de saber notícias do Antônio e que tem muita saudade do irmão. Com a voz trêmula de emoção, ainda relata o tempo em que não foram criados pelos pais, “não sabíamos o que era um beijo e um abraço de um pai e uma mãe”.
A mulher conta que está bem, que se casou, teve filhos, ficou viúva e casou-se pela segunda vez, tendo mais uma filha que também ja se casou.
Emocionada ao falar com a sobrinha, Enilda conta que seu coração chora de emoção por encontrar o irmão e por nunca tê-lo esquecido. Por muitas vezes, na hora do mate, lembrava-se de Antônio. Relata ainda que sempre pedia a Deus, em oração, notícias do irmão: ” […] pedia em oração que se eu partir um dia… para eu partir feliz em saber se meu irmão estava vivo e onde ele estava” conta a mulher grata pela realização da sua prece.
No momento em que soube do paradeiro de Antônio, ela conta que “quis voar” e chorou de tanta alegria, desejando telefonar para o irmão, ouvir sua voz.
Por tamanha saudade, Enilda deseja dar um grande e forte abraço no irmão e conhecer a família que ele formou. Ela abre as portas da casa para as mais novas sobrinhas que encontrou. Assim como Lurdes Dias, que viajou para Três Lagoas (MS) ao lado da filha Cleia Dias de Oliveira para conhecer as primas Juliana, Leila Alves da Silva e o tio.
Após anos da distância que marcou parte de suas vidas, e pouco mais de 7h de viagem, Lurdes e Antônio tiveram um reencontro emocionante marcado no último sábado, dia 31, último dia do mês de agosto, assim como o último dia dos 51 anos de saudade pelo resto de suas vidas.
O estagiário está sob a supervisão da editora-chefe Julia Vasquez



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