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quinta-feira, 11 de agosto, 2022

12 assassinadas em 2022: morte de Eloisa repete filme triste do ciclo de violência contra mulher

  • O ciclo da violência tem três principais fases: Aumento de Tensão; Ato de Violência; e Lua de mel.

CAMPO GRANDE – A morte de Eloisa Rodrigues de Oliveira, de 36 anos, a 12ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul e a 3ª em Campo Grande em 2022 mostra a repetição do ciclo de violência contra mulher que, de acordo com as estatísticas, acaba nesse tipo de crime. O início do relacionamento perfeito, o começo das agressões, do ciúmes doentio, da manifestações violentas, e o fim trágico deixando famílias órfãs.

Eloisa morreu por volta do meio-dia de quinta-feira (17), na Santa Casa de Campo Grande, depois de passar por uma cirurgia urgente por causa das quatro facadas na região do abdômen desferidas por Fabiano Querino dos Santos, de 35 anos, preso em Ribas do Rio Pardo, município a 86 quilômetros da capital, tentando fugir da polícia, que já tinha pedido a prisão preventiva dele.

Segundo uma amiga de Eloisa, cuja identidade será preservada, e que conviveu com o casal desde o início da relação no bairro do Lageado, tudo foi tranquilo até a mulher começar a trabalhar e ter de deixar os filhos do casamento anterior na casa da ex-sogra.

Depois que a Eloisa teve que deixar os filhos aos cuidados da ex-sogra pra trabalhar, aí ele [Fabiano] foi tirando as máscaras com ciúmes e até proibindo ela de deixa as crianças lá, ou até de passar por perto da casa da vó das crianças”, contou a amiga.

Essa atitude, segundo a psicóloga norte-americana Lenore Walker, é fase 1 do ciclo da violência, conhecida como “Aumento de Tensão”, que é quando o agressor mostra-se tenso e irritado por coisas insignificantes, chegando a ter acessos de raiva. Ele também humilha a vítima, faz ameaças e destrói objetos. A mulher tenta acalmar o agressor, fica aflita e evita qualquer conduta que possa “provocá-lo”. 

Na fase 2, ou “Ato de Violência”, a vítima mesmo tendo consciência de que o agressor está fora de controle e tem um poder destrutivo grande em relação à sua vida, tem o sentimento de paralisia e impossibilidade de reação.

A amiga se lembra que Eloisa havia conhecido Fabiano três anos atrás num ponto de ônibus, em agosto de 2019, onde ela pregava mensagens de fé pela igreja evangélica que frequentava. Foram várias ocorrências de violência até chegar ao final trágico.

  • Vida a dois

Segundo a polícia, o crime foi praticado na frente dos filhos de 5 e 9 anos, frutos do casamento anterior. Era na casa da avó paterna dessas crianças que Eloisa estava deixando os filhos para poder trabalhar. Além deles, há um bebê de 2 anos, do relacionamento atual com o suspeito. A vítima tinha outros três filhos não moravam com ela.

O relacionamento do casal era conturbado, segundo os amigos. Ela procurou a polícia em vários momentos. Ao todo, foram cinco boletins de ocorrência e duas medidas protetivas. Fabiano chegou a ser preso e usou tornozeleira eletrônica por cinco meses. Mas, no início de 2020, voltaram a morar juntos e as agressões continuaram.

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