POLÍCIA

Vídeos com difamação contra adolescentes já resultaram em prisões e até suicídio em MS

 
 

10/01/2019 17h53
Por: Deyvid Santos

 
 
O compartilhamento deste tipo de vídeo é considerado crime de difamação e as pessoas que receberem o conteúdo devem informar a polícia - FOTO: Reprodução O compartilhamento deste tipo de vídeo é considerado crime de difamação e as pessoas que receberem o conteúdo devem informar a polícia - FOTO: Reprodução

Viralizaram na internet diversos vídeos onde crianças, adolescentes e pessoas casadas de Três Lagoas (MS), em sua maioria mulheres, são classificadas como "marmitas de bandidos", ou seja, que gostam de se relacionar com criminosos ou praticam relações sexuais com múltiplos parceiros. O mesmo tipo de vídeo vem ganhando força na internet e sendo reproduzidos em diversas cidades do estado.

Os vídeos trazem as fotos dos três-lagoenses ao som de músicas ofensivas, com apologia ao sexo e drogas. O compartilhamento deste tipo de vídeo é considerado crime de difamação e as pessoas que receberem o conteúdo devem informar a polícia. Prisões relacionadas a autoria deste tipo de material já foram registradas na cidade de Ribas do Rio Pardo (MS).

A equipe da Caçula FM conversou com a mãe de uma das garotas que aparecem no vídeo. Segundo ela, a filha de apenas 15 anos está tendo a imagem difamada; o filho da mulher também apareceu no vídeo feito com imagens dos meninos.

As imagens geralmente são retiradas das redes sociais e montadas nos vídeos utilizando um aplicativo de celular. Várias cidades possuem sua própria versão do vídeo, com crianças e adolescentes. Em Campo Grande (MS) além do vídeo intitulado "marmitas de bandidos'', circula também dois vídeos, "cornos(as) de cg" e "as mais rodadas de CG".

Relatos já foram feitos nas cidades de Campo Grande, Rio Verde, Sonora, Bandeirantes e Coxim. Em Sonora, além do vídeo ‘marmitinhas’, também fizeram outra gravação intitulada "Cornos de Sonora".

Suicídio

Uma adolescente na cidade de Sonora (MS) teria cometido suicídio após ser incluída em um dos vídeos em sua cidade. As informações são do jornal Edição MS.

De acordo com a publicação, a jovem estava morando em outra cidade quando foi ridicularizada através do vídeo que começou a circular na cidade. Abalada, a família não quis dar declarações sobre o assunto, mas parentes da adolescente retornaram à cidade natal, em Coxim.

O conteúdo dos dois vídeos tem várias fotos de jovens, meninos e meninas, com músicas ofensivas, que fazem apologia ao sexo e drogas. ''É uma brincadeira de péssimo gosto, que mancha as imagens dessas meninas", advertiu uma das mães, revelando que ficou desesperada ao reconhecer a foto da filha.

A Polícia Civil alerta que os autores não conseguem se esconder no anonimato por muito tempo, pois as forças de segurança já têm condições de identificar os responsáveis por cybercrimes.

 
O conteúdo dos dois vídeos tem várias fotos de jovens, meninos e meninas, com músicas ofensivas, que fazem apologia ao sexo e drogas. - FOTO: Reprodução O conteúdo dos dois vídeos tem várias fotos de jovens, meninos e meninas, com músicas ofensivas, que fazem apologia ao sexo e drogas. - FOTO: Reprodução

PRISÃO

Na tarde da última terça-feira (08), o S.I.G. (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil de Ribas do Rio Pardo prendeu quatro indivíduos por praticarem crimes de difamação com a criação deste tipo de material.

Uma adolescente teria criado um vídeo que difamava a imagem de várias meninas da cidade. Outro adolescente teria compartilhado o vídeo em seu status do WhatsApp e nas redes sociais. Se não bastasse tudo isso, um homem de 21 anos e outro de 18 teriam publicado comentários ofensivos no Facebook, tudo relacionado ao vídeo das meninas.

Os maiores de idade foram presos e estão à disposição da Justiça, já os menores estão respondendo em liberdade. Ao todo, os envolvidos responderão por 11 (onze) crimes de difamação, já que, até o momento, verificou-se que foram 11 vítimas de tais delitos.

Com informações dos sites Radio 90 FM e Top Mídia News

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