15/07/2017 10h15

Comerciante é condenado por morte de menina que defendeu pai em discussão

Conforme sentença, ele deve cumprir seis anos e seis meses de prisão em regime semiaberto em Aparecida de Goiânia, mas pode recorrer em liberdade. Kerolly Alves Lopes, de 11 anos, foi morta com tiro na cabeça

 
Por: G1
 
 
Kerolly Alves Lopes foi baleada ao tentar defender o pai durante uma briga, em Aparecida de Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera) Kerolly Alves Lopes foi baleada ao tentar defender o pai durante uma briga, em Aparecida de Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

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O comerciante George Araújo de Souza foi condenado a seis anos e seis meses de prisão pela morte da menina Kerolly Alves Lopes, de 11 anos, em uma pizzaria de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, nesta sexta-feira (14). O crime ocorreu no dia 27 de abril de 2014 quando a criança entrou na frente do pai, o serralheiro Sinomar Firmino Lopes, que discutia com o réu. O comerciante pode recorrer em liberdade.

O promotor Milton Marcolino, responsável pelo caso, informou ao G1 que o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) deve recorrer da decisão.

O G1 não encontrou a defesa do condenado para comentar o caso.

George foi condenado pelo crime de homicídio. O juiz Leonardo Fleury Curado Dias, que proferiu a sentença, ponderou que a conduta dele foi "altamente reprovável" e que o mesmo "tinha conhecimento de seus atos". Além disso, na sentença o magistrado destaca que "o réu reagiu de forma totalmente desproporcional àquela ação, inclusive insensível à presença de uma criança, no momento do disparo efetuado".

Apesar disso, o juiz argumentou que o comerciante não tem antecedentes criminais, tem conduta social favorável, "não se vislumbrando tendência à prática de crimes". Além disso, o magistrado considerou que o pai da vítima contribuiu para o resultado da discussão, já que "mesmo prevendo que algum mal poderia acontecer, já que o réu portava arma de fogo, continuou a alimentar a discussão, não atendendo, inclusive pedido da própria vítima, para que fossem embora".

Inicialmente, Dias condenou George à pena mínima de sete anos. No entanto, como o mesmo confessou espontaneamente o crime, a punição foi reduzida em seis meses.

Crime

Kerolly foi atingida por um tiro na cabeça durante uma discussão entre o próprio pai e o condenado. Ela ficou 10 dias internada na UTI do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e teve morte cerebral constatada no dia 5 de maio de 2013. Dois dias depois, ela morreu por falência múltipla de órgãos.

Dizendo ter sido ameaçado, o pai da garota foi até a pizzaria de George, acompanhado das filhas, para tirar satisfação e o homem acabou efetuando disparos contra a família. Imagens do circuito se segurança do estabelecimento registraram toda a ação.

O pai de Kerolly também chegou a ser preso, mas por agredir a ex-mulher, Miriam Coelho Alves. Ela chegou a avaliar a atitude do ex-marido de levar as filhas ao confrontar o dono da pizzaria como "irresponsável".

Condenado

O condenado chegou se entregou à Polícia Civil no dia 6 de maio de 2013. Na época, ele chorou ao ser apresentado. No entanto, conseguiu habeas corpus por ser réu primário, e foi libero no dia 27 do mesmo mês.

Durante audiência, o condenado também chorou ao responder a falar com a irmã de Kerolly, Pérola Alves Lopes. Na data, a então adolescente perguntou: "Por que você matou minha irmã?", ao que o comerciante respondeu: "Você sabe que eu não queria matar vocês. Mas me arrependo de tudo e peço perdão pela dor que causei a sua família", disse.

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